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domingo, 15 de fevereiro de 2009

PESCA, VÍCIO PARA UM MILHÃO DE PORTUGUESES.


Hoje saiu no Publico um artigo muito completo sobre as potencialidades comerciais da pesca desportiva em Portugal.

Passo a transcrever alguns parágrafos, que me parecem mais adequados à pesca de águas anteriores. Só há ali uma pequena confusão entre a pesca "inglesa e "francesa", é que de facto a pesca "inglesa" é praticada com carreto.

Um em cada dez portugueses tem o vício da pesca. São um milhão os que, todos os anos, compram a respectiva licença para, no mar ou em água doce, faça sol ou caia chuva, darem satisfação a uma actividade que movimenta milhões de euros. O negócio, apesar da crise, floresce, ao ponto de existirem mais de 300 estabelecimentos especializados na venda de material. Há imprensa especializada e até se viaja para outros continentes na esperança de sentir a cana vergar com o peso recorde de um peixe.

«...Os outros 300 mil que têm o vício, esses compram nos serviços do Ministério da Agricultura e Pescas, nas câmaras municipais ou nas juntas de freguesia, as licenças que podem ser nacionais (todo o país), regionais (para Sul ou para Norte do Tejo) ou concelhias (permitem a actividade no concelho escolhido, mas também em todos os outros que com esse façam fronteira). Tratou-se, de resto, de impor para o mar as regras que vigoram há dezenas de anos na água doce. À semelhança do que se passa nos rios e barragens, também no mar se estabeleceram tamanhos a partir dos quais se permite capturar cada espécie. Só o defeso (em vigor de 15 de Março a 31 de Maio para a água doce) separa agora os dois tipos de pesca.

Não se pense, no entanto, que o material utilizado no mar é adequado para os rios e vice-versa. De facto, as maiores semelhanças entre os dois tipos de equipamento cingem-se apenas a alguns preços, porque a especificidade das linhas, a capacidade dos carretos, os tamanhos dos anzóis e bóias, as dosagens do chumbo e a configuração das canas, para já não falar nas técnicas utilizadas, são tão diferentes como diferente é um achigã de um espadarte.

Para quem possa pensar que um milhão de portugueses encartados é um número exagerado, adianta-se aqui que em Inglaterra a pesca de água doce tem mais de cinco milhões de licenças vendidas anualmente e que até existem canais de televisão cujas transmissões são apenas relativas à pesca e ao que lhe está associado: turismo, indústria, postos de trabalho.
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As delícias da água doce

É impensável utilizar na pesca de água doce linhas com a mesma expessura das que se utilizam no mar. O peixe do mar é, em princípio, mais forte e não sai da água às boas, que é como quem diz com fios finos, quase invisíveis, como os utilizados nos rios e barragens. Um 0,40 mm é fraco para o mar mas, para a água doce é quase como se fosse uma amarra para prender uma embarcação. É de tal modo grosso que as principais espécies, como a carpa, o barbo ou achigã, nem se lhe aproximam.

No rio é frequente pescar-se com expessuras de 0,10 e outras ainda mais delgadas. Por vezes utilizam-se empates (o pedaço de fio que segura o anzol e que está atado ao fio principal) ainda mais frágeis. E no entanto, estas armações possibilitam, por vezes a captura de exemplares com muitos e muitos quilos. As carpas, uma espécie de vacas marítimas que com o avanço da idade procuram cada vez mais os fundos escuros e lodosos, podem ultrapassar os 20 quilos. É por isso que se diz, quando que a pesca de água doce, por permitir grandes capturas com material mais frágil, é mais técnica do que a praticada no mar, onde as linhas grossas permitem a pesca vulgarmente designada por “arranca queixos”.

A pesca das carpas grandes, das que habitam as águas mais frias e escuras, é um desafio cada vez mais aceite em Portugal e no estrangeiro (este peixe carregado de espinhas e de baixo valor nutritivo integra o principal prato da República Checa). A sua pesca pode ser feita nas variantes “inglesa”, “francesa” e “bolonhesa”, todas com bóia, ou ao fundo.

O primeiro estilo implica a utilização de uma bóia grande que pode correr no fio, permitindo que o anzol desça até ao fundo do leito, ou que pode estar fixa. Na "francesa", na ponteira da cana é preso um elástico, cuja segunda extremidade ata ao fio. Este elástico quebra a resistência do peixe e faz com que este, por muito pesado que seja, perca as forças para lutar contra as linhas finas. Na “inglesa” não são utilizados carretos.

A pesca “bolonhesa” já quase não se pratica. É um tipo de pesca à bóia e com uma cana com passadores, que pode levar ou não um carreto. A “francesa” é, tal como a “inglesa”, feita com uma cana directa (sem carreto, devendo a medida da linha ser, em média, o dobro do comprimento da cana).

As canas utilizadas são muitas vezes feitas de carbono. São resistentes e podem pesar apenas um quilo, apesar de as haver com 12 e 14 metros de comprimento. A sua utilização não é aconselhável quando há trovoadas ou próximo de fios eléctricos. Muito deste material pode atingir mais de 3000 euros, havendo carretos que ascendem às centenas de euros.

Mais pequenas e com muitos passadores, as canas para a pesca do achigã (peixe oriundo da América do Norte e cujo nome – atchi gã – vem de um dialecto índio e significa “aquele que salta”, foi introduzido em Portugal pelo Estado Novo, para controlar as carpas que nadavam e se reproduziam desordenadamente nas barragens construídas na década de 1950) tem preços que raramente ultrapassam os 200 euros, o dobro do custo de um bom carreto.

Os portugueses pescam ainda, embora em menor quantidade, espécies como a truta e o salmão, utilizando medalhas, moscas e culheres que curricam na água. A truta ainda nada em alguns rios do Norte mas, por existir em pequenas quantidades, estes não são santuários para os pescadores como, por exemplo, as margens do Guadiana ou do Mondego, ricos em barbos e carpas, ou a Barragem do Alqueva, autêntico viveiro europeu de achigãs. Zonas como o Sorraia, em Coruche, ou a Ribeira da Raia, com pesqueiros em Mora e Cabeção, são frequentemente procuradas para a realização de campeonatos europeus e mundiais.

Quanto aos iscos utilizados na água doce, o mínimo que se pode dizer é que a ementa é... variada e exótica. Senão atente-se: A principal iguaria de carpas, barbos e bordalos é o asticot, que é nem mais nem menos do que a larva da mosca varejeira. Estes bichos brancos (também há que os tinja, mediante alimentação, de amarelo, verde, vermelho e azul) vendem-se ao litro e aguentam-se vivos desde que estejam no frio, num frigorífico. Mas se lhes colocarem no anzol petiscos como batata (cozida ou frita), esparguete (cozinhado), frutas, cenoura, pão, trigo (cozido) cânhamo, ervilha ou até borras de café, é quase garantido que eles engolem.


Muitos pescadores, para apanharem achigã, que também come asticot, utilizam no anzol as vísceras de outros peixes e de aves (tripas de galinha), mas também gafanhotos, libelinhas e, sobretudo, verdemã, que não é mais do que um pequeno peixe cuja captura é proibida mas que se vende em quase todos os estabelecimentos, sejam eles apenas de pesca ou, como acontece pelo interior do país, negócios de aldeia, onde se transaccionam, lado a lado, carretos e sapatilhas, pratos de pirex e canas de carbono, asticot e legumes. É assim a pesca em Portugal.

Talvez seja chegada a hora do Concelho do Alandroal, olhar para a pesca desportiva como um factor de elevado interesse económico e apostar fortemente na criação de Pistas de Pesca. Com o Alqueva e a Barragem do lucifecit, já temos as condições principais, o peixe. Só faltam as acessibilidades até aos pesqueiros.

Para ler o artigo na sua totalidade clique em Publico.pt

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

PROJECTOS TURISTICOS PARADOS


O Publico escreve hoje que a crise trava maiores investimentos turísticos do país, será que o projecto de Juromenha, também está incluído neste rol?

In-Publico:


A crise está a bloquear mais de 3500 milhões de euros de investimento em turismo residencial. De uma lista de 18 grandes projectos analisados pelo PÚBLICO, e que somam mais de sete mil milhões de euros no papel, há pelo menos nove que estão a marcar passo, por falta de condições financeiras e dificuldades nas vendas.

Há dois anos, o mercado de segundas residências integradas em "resorts" foi apontado pelo Governo como um dos motores de crescimento económico, contribuindo para atingir uma meta de 21 milhões de turistas (quase o dobro do número actual) e receitas na ordem dos 15 mil milhões de euros em 2015.

A maioria dos empreendimentos analisados ostenta o estatuto legal de PIN (projecto de potencial interesse nacional), conseguindo mais facilidade nos processos burocráticos de licenciamento. No total, os cálculos do Turismo de Portugal elevam a 12.700 milhões de euros o investimento previsto em mais de 30 grandes empreendimentos para os próximos dez anos. Em causa estão 37.900 unidades (moradias), que se dividem sobretudo entre o interior e o litoral do Alentejo, o Algarve e o Oeste, na zona de Óbidos.

Mas à medida que a crise tomou conta dos mercados e a confiança dos compradores diminuiu, muitos dos investidores suspenderam a corrida por questões de precaução. Uns, especialmente no caso de empreendimentos ainda no papel, simplesmente porque os bancos deixaram de emprestar dinheiro. Outros, aguardam por novas tendências.

No Alentejo, que sofre de falta de notoriedade no segmento do turismo residencial, há projectos como a Herdade do Barrocal (da Aquapura, ligado a Diogo Vaz Guedes) que estão a ser repensados. "Gostaríamos de ir para o mercado em 2009 mas isso não vai acontecer", admite Miguel Simões de Almeida, administrador da Aquapura Hotels. Também o grupo SAIP (Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações) de José Roquette, tinha um investimento previsto de mil milhões de euros no Parque Alqueva, na zona de Reguengos de Monsaraz. A componente imobiliária deveria ser a primeira a arrancar. Agora, está apenas garantido um investimento de 250 milhões de euros, grande parte em hotelaria e serviços turísticos (náutica e golfe).

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

MAIS UMA MEDIDA SIMPLEX



Governo acaba com obrigatoriedade de escritura pública para imóveis

O Governo aprovou hoje um decreto que deixa de tornar obrigatória a realização de escrituras públicas para actos respeitantes a imóveis, que podem passar a ser feitos por documento particular autenticado e perante um único interlocutor.

A decisão foi apresentada em Conselho de Ministros pelo titular da pasta da Justiça, Alberto Costa, especificando que os actos abrangidos por este diploma se aplicam a compra e venda de imóveis, hipoteca ou doações.

De acordo com o ministro da Justiça, estes actos terão também um único interlocutor, por via de um sistema de balcão único, que poderá ser tanto uma conservatória, um advogado, um notário ou uma câmara do comércio e indústria ou um solicitador.

"Trata-se de abrir para um universo mais vasto a possibilidade de servir com mais rapidez, eficiência e menos burocracia as pretensões dos cidadãos, tornando-se obrigatória a realização imediata do registo correspondente", declarou o membro do executivo.

No comunicado do Conselho de Ministros refere-se que o novo sistema permitirá a "advogados, câmaras do comércio e indústria, notários e solicitadores prestarem em concorrência serviços relacionados com transacções de bens imóveis em regime de balcão único".

Em conferência de imprensa, Alberto Costa referiu-se ainda ao "compromisso" presente no programa de Governo de eliminar o duplo controlo que se exercem sobre os actos dos cidadãos.

"Podemos dizer que o Governo está a percorrer esse caminho. Aqui temos mais um conjunto de actos em que deixa de haver a necessidade de um duplo controlo", frisou.