sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CASTELO DE ALANDROAL, OUTRA OPINIÃO

Pelo Arquitecto Rui Rodrigues,

CASTELOS,  ARQUELÓGOS E VERNIZ… 

Muito se discute publicamente sobre os acontecimentos em curso no castelo de Alandroal. 

Já li muitas opiniões expressas publicamente, concordo em certos casos, noutros discordo. 

Considerando que parte do meu percurso profissional colidiu com o imóvel em si entendi também contribuir para a saudável discussão que tenho acompanhado pelos meios de divulgação habituais (blogs). 

Desde já informo que quando estava em funções na CM Alandroal contribuí para o licenciamento da obra junto do ministério da cultura, como me competia. 

Parece-me, é que a discussão a que temos assistido, em certos casos ainda tem alguns equívocos sobre o processo e a sua execução, e que com os dados que hoje disponho entendi contribuir para a discussão. 

Sobre o processo sabemos: 

Foi projectado por uma das actuais “superstar” da arquitectura portuguesa: Aires Mateus & Associados. 

O título do projecto é “RECUPERAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO DO CASTELO DE ALANDROAL” 

Pois é, o objecto da obra não é reabilitar, restaurar ou sequer limpar o Castelo de Alandroal naquilo que mentalmente visualizamos quando dizemos ou ouvimos a palavra castelo, ou seja: as estruturas construídas, fortificadas e destinadas a protecção militar de um espaço específico. 

Considero que projecto é de grande qualidade, gosto bastante da abordagem e do conceito formal e ainda espero gostar mais do resultado final construído. 

Contudo é um projecto que nunca pretendeu salvaguardar o monumento em si, ou seja, é como que colocar um chão novo e umas mobílias novas numa casa onde o tecto mete água e ameaça em alguns troços a ruína… 

Se é mais importante requalificar o espaço livre ou acudir ao monumento, é uma decisão politica, e esses foram mandatados livremente para decidirem bem e para todos os disparates que lhe aprouverem…

Também é natural que a confusão sobre o real objecto da obra impere, já que até o “dono de obra” através do seu gabinete de imprensa do município de alandroal em maio de 2011 divulgou: “O Castelo do Alandroal será o palco da cerimónia onde, a partir das 21:30, se irá mostrar aos alandroalenses, e a toda a população do concelho, o Projecto de Requalificação do Castelo de Alandroal” – (fonte: http://www.alandroalandia.blogspot.pt) 

Certamente que o lapso foi do dito Gabinete de Imprensa. 

Eis que para recuperar o espaço público do Castelo de Alandroal, é necessário afectar o subsolo, e para isso numa zona classificada, (porque é só isso, já que não se mexe no monumento em si), é preciso o apoio de Arqueólogos. 

Pois é, aí entram os maiores defensores do património, de espada erguida contra qualquer picareta não acompanhada que danifique irremediavelmente uma tíbia setecentista ou o resto de uma estrutura erguida por algum dos nossos ilustres antepassados. 

Analisam o que aparece, catalogam, moem o empreiteiro, e na maior parte das vezes decidem sozinhos ou em pelotão com base na sua ciência, se vale a pena alterar a obra sem olhar aos custos para salvaguardar os “achados”, ou se é para continuar como estava previsto, destruindo irremediavelmente o que apareceu, ou ainda aterrar para investigação futura, que me parece estar a acontecer… 

Tudo isto em horas ou dias, já que a obra tem prazos. 

Em meu entender o sistema permite abusos de todas as partes envolvidas, leia-se: da picareta e dos cavaleiros da escavação supremos guardiões da cultura. Mas é o sistema que está previsto na lei e é com esse que se tem que viver e trabalhar da melhor maneira que se pode ou sabe. 

Como tal, estamos perante uma obra autorizada pelo ministério da cultura, presume-se que estão acautelados abusos (mesmo de “coupagnons de route”) de qualquer dos intervenientes… 

Enfim, a obra está em execução, o Alandroal vai ter um espaço onde realizar diversos eventos com todas as condições e uma envolvente impar. 

Convém não esquecer, é que as muralhas irão ficar cada vez mais degradadas, caindo pedras e outros elementos, algumas torres podem perder-se… 

Nos próximos tempos também me parece que ninguém vai ter muita disponibilidade económica para obras em monumentos… 

Para terminar só queria manifestar a minha estupefacção sobre o método construtivo de reabilitação do muro confinante com a matriz, já que é estranho reabilitar um muro de construção tradicional com tijolo furado… e aqui não ouvi nenhum guardião da cultura enterrada ou outro, colocar qualquer questão. Deve ser porque para muros à vista não é necessário ordenados para escavar…

 (foto http://www.alandroalandia.blogspot.pt)
 Certamente foi acautelado… 

Agosto 2012 
Rui Rodrigues 
Arquitecto

4 comentários:

Varandas disse...

Aos leitores,

Anónimos, volto a relembrar a politica de comentários deste blogue:

A comentadores identificados (Rui Rorigues) só é permitido fazer contraditório desde que o contestante esteja também devidamente identificado. Essa identificação só é válida se o contestante fizer o comentário com a conta aberta do gmail ou enviando o comentário directamente para o meu e-mail: alsport.varandas@gmail

Agradeço compreensão da vossa parte.

Varandas.

Luis Lobato de Faria disse...

O Castelo do Alandroal é mais que um monumento, faz parte da nossa identidade cultural, esta identidade é ainda mais forte na Raia, onde as dificuldades são maiores o que exige pessoas mais resolutas, hoje e no passado. No entanto o que vemos hoje do castelo representa apenas um periodo de tempo, muito mais está escondido debaixo do mesmo, são centenas senão milhares de anos da história de todos nós, de gerações que construiram, lutaram e por aqui morreram. É nossa obrigação, de todos nós, preservar a nossa identidade cultural, sem ela não somos nada. É isto que a Arqueologia faz. Os Arquitectos nas suas belas obras, porque “algumas” são belas, apenas acrescentam uma frase a um livro que já tem muitos capítulos.

Arqueólogo Luis Lobato de Faria

Varandas disse...

Ao (Suposto) comentador Gonçalo Lopes,

O comentário enviado é muito válido para esta discussão, mas mais uma vez volto a dizer que neste espaço só é possível haver contraditório com comentadores identificados (No caso, L.L. Faria) se o contestante estiver igualmente identificado de uma forma válida.

Isto para proteger os dois. É que mesmo neste caso, como é que eu posso saber que o comentador é o Gonçalo Lopes? Pode ser outra pessoa qualquer a assinar por Gonçalo Lopes e o verdadeiro Gonçalo Lopes pode nem saber que está aqui opinando!

Espero que compreenda esta minha posição, mas só assim consigo proteger os leitores que andam por aqui bem intencionados.

Para os comentários entrarem, basta que confirme para o meu e-mail (alsport.varandas@gmail.com), que os comentários são seus.

Se for para responder a um comentador anónimo, nada disto é necessário, mas este não é o caso.

Peço compreensão, Varandas.

Elso Balixa disse...

Boas a todos, sinto-me muito desanimado com tudo o que se passa aqui na vila do Alandroal.
É que para onde quer que me volte só reparo nas más-línguas, nas invejas, nos ódios dos meus conterrâneos. Porque se se faz é porque se faz, se não se faz é porque não se faz! Um Velho hábito dos Alandroalenses.
Uma vez fui no Altejo injusto/justo ao querer comparar os maus Alandroalenses com os não Alandroalenses. No entanto tenho que aceitar que os não Alandroalenses aqui residentes há muitos anos acabam talvez por ser melhor “Alandroalenses” que os próprios nativos.
É com grande tristeza que olho todos os dias para a nossa blogosfera Alandroalense e para as redes sociais e salvo muito poucos se não raros casos só se consegue ler ou ver inutilidades e maledicência, sinceramente...
Eu a este nível não sou capaz de fazer uma comparação com o que se passa no resto do país ou no estrangeiro, mas que é um facto que os Alandroalenses se “portam muito mal” com a sua terra, lá isso é.
O Alandroal tem uma situação geográfica extraordinária. O Alandroal tem um património invejável (é talvez uma das vilas do país com mais património histórico por quilómetro quadrado). O Alandroal tem uma gastronomia de excelência. Então o que é que nos faz falta? As pessoas, fundamentalmente os Alandroalenses que se disponham a fazer algo pela sua terra em lugar de esperar que seja a vila a fazer qualquer coisa por eles.
Sim, é verdade, estou muito desanimado. Por vezes apetece-me emigrar para não ter que ser uma testemunha de tudo o que por aqui se passa!

Elso Balixa

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